Monetização dos games

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Monetização dos games

Mensagem por infernosword em Sex Abr 21, 2017 3:04 am

HAHAHA agora a chapa vai esquentar! Eu quero só ver...

Eu pessoalmente gosto muito do slogan do site Gamasutra quando se trata da definição de games. "The Art & Business of Making Games". A arte e o negócio de se fazer jogos. Começo por aqui. Desde que me conheço por gente, eu sempre gostei de apreciar um jogo e isso não quer dizer necessariamente jogá-lo, mas olhar alguém jogando, os gráficos, os sons, como a pessoa reage ao o jogo e essas coisas que quem nasceu nos anos 2000 não entende xD Falo muitas vezes que os jogos eletrônicos são arte. Se não forem, não sei o que são. Melhor deixar por isso mesmo.

Aprendi, depois de muito ouvir, ver, ler e pesquisar, que arte pode ser comercializada, apesar de ser... bem... arte. Apesar de todo o aparato lúdico que se prende a um jogo, houve uma pessoa que pensou ele, outra que desenvolveu ele e outra que perdeu alguma coisa durante todo esse processo. São coisas caras em um mundo onde tudo é veloz. Ainda mais veloz.

Sinto-lhes dizer, mas desenvolver um jogo não é simplesmente abrir um programa da Adobe, clicar em um botão escrito "Create game", colocar o binário gerado na Steam e fazer dinheiro a rodo. Cada vez mais cresce o números de pessoas envolvidas no processo, que começou com um cara e seu computador velho (monitor 8-bit color) e se tornou uma corporação com ações na bolsa e acessoria de imprensa (essa é boa). Já ouvi falar em times de 50, 75 e até um core de 200 pessoas envolvidas diretamente no desenvolvimento de um jogo (falamos aqui de artistas, programadores, engenheiros de software e de todo o povo que "faz" o game, apenas). Sejamos francos, isso não tem como sair de graça.

Podemos ir por aquela máxima de que são todos "pais de família, pessoas que tem as suas vidas, gente que também come e vive e que precisa de dinheiro". Justificativa extremamente válida ao meu ver, embora ache que viver e comer sejam privilégios e não direitos, se tratando de programadores. Contudo, é tudo muito bonito e muito feliz quando se apoia nessa justificativa e eu, que gosto de pensar e repensar (overthink para os aloglotas), só para ser do contra, resolvi pegar o caminho mais difícil, intelectualmente falando. Vamos discutir esse assunto em termos das propostas teóricas de Karl Marx e Adam Smith, em termos enclave preço/trabalho e na situação atual do cenário tecnológico da substituição do homem pela máquina. Brincadeira, só estou zoando XD

Eu penso que vivemos em um sistema onde o capitalismo, sob um acerto comum chamado Estado (e ponha-se milhões de àspas à palavra acerto) dirige as vidas das pessoas, nos provém escolhas e nos impõe situações. Muito se discute sobre tal arranjo social, embora na minha humildíssima opinião, não creio que as coisas fugirão muito desse arranjo nos futuros anos. A esse sistema, damos o nome informal de "O Sistema", o que me faz lembrar muito daqueles filmes distópicos que se faziam nos anos 80, visando os anos 2010 para frente, com carro voador e tudo mais. Esse sistema possui estruturas que abstraímos como sendo "Máquinas". Máquina pública, máquina da empresa e máquina de campanha são alguns exemplos. São abstrações que nos ajudam a entender o fluxo do dinheiro na sociedade durante um processo, tal como aquela lição primária sobre a cadeia agropecuária da fabricação do leite, que vimos na escolinha, ou como tomamos no cu quando pagamos nossos impostos em dia.

É pelas engrenagens da máquina, ou seja, a sociedade, ou melhor, as pessoas que fazem parte dela, que o dinheiro flui, da demanda do cliente à oferta do produtor. É pensando em um futuro lucro que se produz e é pensando em um futuro benefício que se compra. Coisas assim estão tão intrínsecas no nosso sistema que não raramente vemos até patologias associadas ao consumismo. Sintetizando todo esse bololô, posso afirmar que os games estão ligados ao trabalho e o trabalho está ligado ao dinheiro. Logo, por silogismo hipotético (cadê meu diploma?), podemos deduzir que os games estão ligados ao dinheiro. Até aqui é só cagação de regra, nada de discussão. O negócio (com o perdão do trocadilho) esquenta quando falamos em termos de "Até que ponto?". Temos que ter cautela ou vale tudo? Qual o limite do humor, digo, da forma como se monetiza os jogos?

Já vi de tudo nessa vida: arcade, demo, adware, shareware, expansão, DLC, Season Pass, micro transações, cd pirata, emulador, crack e torrent. Muitas são as formas de se distribuir um jogo, algumas até românticas, outras nem tanto. Muitas surgiram pelos lucros, outras pela falta de, mas todas, todas, todas mesmo, fazem parte do espectro de distribuição daquilo que chamamos "A indústria dos Games". E não, isso não é um documentário cafona do Discovery Channel.

Dos 418 já escritos, peguemos os dois últimos parágrafos escritos até aqui. Temos o que ocorre, como ocorre e a ética em tudo isso. Como encaixar tal situação? Quer dizer, como gamer, quero jogos de qualidade a preços baratos, por isso pirateio tudo e ainda reclamo dos bugs em Assassin's Creed, que é mal programado. Como desenvolvedor, sei que, por definição, o consumidor é um otário que vem de brinde com uma grana que eu quero, se possível na vaselina. Repito: como encaixar tal situação? Poderia dar a minha opinião aqui, com mais algumas pequenas poderações de mais 1000 linhas cada, mas vamos deixar para os cérebros do fórum, um pouco porque eu sou mallandrops e saí no climax, e um pouco porque já está bem tarde. Se você chegou até aqui, meu herói, saiba que, ironicamente, a última parte da senha é formada apenas por uma letra, que acaba por ser a primeira do nome do fórum. Por isso, peço que tentem entender e dar uma opinião bastante ponderada, tentando compreender os vários lados da questão e não simplesmente disparar uma opinião advinda de uma dois cano de argumentos prontos e forjados. Contraditoriamente, peço que deem uma opinião que venha pura do coração, sem muitos filtros morais e sem corporativismo baratos. Sejamos amigos de nós mesmos.

É importante para mim. Eu estou buscando espaço nesse cenário e dou valor para esse tipo de informação, que eu busco hora por diálogo, hora por provocação. No fundo eu quero saber o que vocês pensam, o que a piazada pensa, o que as gurias pensam, o que as véias pensam e o que a piazadinha menor pensa. Vejam como uma pesquisa de campo. E aí, eu sou ou não sou um puta cientista? HAHAHA é pra acabar, não é? Vamo nessa!
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Re: Monetização dos games

Mensagem por Willi em Sex Abr 21, 2017 6:05 pm

Tu não é um cientista, tu é um manipulador mental! Kkkkkkkkkkkk

Ok, opinião sincera sem filtros, e vinda direto do coração. Eu apenas quero jogos que me divirtam. Puta vida, esse é um conceito raso demais, então vou definir "me divertir": o contrário de "me aborrecer". Quando jogo um game, dificilmente estou indo em busca de algo específico. Não considero, nem de longe, os jogos como um passatempo. Não. Gosto de apreciá-los. Mas, ao apreciá-los, não fico procurando aquelas características X e Y que eu gosto. Eu só não quero ver as características A e B que eu não gosto.

Vou citar alguns exemplos: jogo 2D metroidvania. Os desenvolvedores esqueceram-se como se faz um bom jogo 2D atualmente. Ou ele é metroidvania, ou ele é incrivelmente difícil, ou ele é infantil. O último jogo 2D íntegro que joguei foi Rayman Legends. E Return of Rocket Knight antes dele (bem antes). Quando é uma boa proposta, aí vira coisa de PSN e é vendido em episódios. Porra, façam um troço bem acabado que não seja bônus nem extra de nada! Portanto, um bom jogo 2D, para mim, não precisa ter aquelas coisas que eu gosto, é só não ter comandos de golpe de Street Fighter como hotkeys para as magias do personagem, nem me fazer abrir o mapa a cada 10 segundos, e nem acabar em duas horas. Só não ter esses defeitos, e provável que eu vá gostar do jogo.

Vamos falar de mundo aberto. Seja o tema que for, fique nele. Não me dê um jogo de hacker em que as side missions sejam jogar xadrez em barzinho ou um game de sobrevivência na selva em que eu tenha que jogar pôker. Se a primeira coisa que me deram no game foi uma arma, me deixem atirar o jogo inteiro, e inventem maneiras criativas e mecânicas envolventes para eu querer continuar atirando (Doom), ao invés de me tomarem a arma de tempos em tempos pra me fazer jogar a merda do pôker (Far Cry 3). The Witcher 3 é tão gostoso de jogar porque, por mais que existam trilhões de coisas a se fazer, a mecânica central é sempre combate+crafting. Lute e pegue itens em diferentes contextos, mas estará sempre lutando e pegando itens.

Games com uma boa história, todos adoramos! Mas não me obrigue a assisti-la. Não deixe meu personagem lento até o textinho do diálogo chegar ao fim. Porque eu não quero ver a merda de um filme, eu quero jogar, então complemente minha jogatina com um bom enredo, e não o contrário.

Jogos de luta, o que me atrai neles geralmente é o design dos personagens. Tem uma porção de jogos de luta que eu acho a parte artística um pitel, mas... só jogo Mortal Kombat e Naruto Storm. Ué, mas por que? Porque mesmo que Guilty Gear, BlazBlue e King of Fighters sejam hipnotizantes, eu não consigo trabalhar com analógicos nos especiais. Sempre permita ao jogador fazer "trás, baixo, frente" no direcional, nunca o obrigue a fazer um U com o analógico. Não restrinja o gameplay funcional a quem tem um controle arcade. E mais: X Y ↓ A → B já é suficiente pra um combo. X X A ↓ → Y A X+B ← A Y Y+A LB é um exagero de mal gosto que só os japoneses conseguem proferir.

Apesar de parecer exigente, é justamente o contrário: eu nem tô pedindo pra ter nada específico! É só essas putarias que me aborrecem estarem ausentes, e beleza!
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Re: Monetização dos games

Mensagem por infernosword em Sex Abr 21, 2017 10:28 pm

Ok, mas e sobre a monetização dos games? O que vale e o que não vale no mundo adulto onde se deve ganhar dinheiro?
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Re: Monetização dos games

Mensagem por Willi em Dom Abr 23, 2017 6:24 pm

Enquanto só nós dois conversarmos nesses (gostosíssimos) papos reflexivos e filosóficos, não vou me animar a continuar discorrendo sobre. Malz Inf. Mas a TTA tá parecendo grupo de WhatsApp que a maioria só visualiza.
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