Não seríamos, nós, os teimosos?

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Não seríamos, nós, os teimosos?

Mensagem por Willi em Qua Abr 05, 2017 12:09 pm



Indiferente da idade de cada um aqui, todos nós acompanhamos a mídia de games desde uma época onde a internet era diferente.

Naquela época, redes sociais estavam emergindo, e tinham um foco muito mais "social" (interação de pessoas). Quem propagava notícias e rumores eram os blogs e os sites. Leia "sites" como os grandes portais (Gamespot, IGN, Baixaki Jogos, UOL Jogos) e "blogs" como os pequenos sites de entusiastas como nós, que viam no Blogger ou Wordpress uma ferramenta (ou porque não, uma oportunidade) de externar ao mundo sua paixão por algum assunto, podendo nos expressar sem o crivo de uma hierarquia jornalística.

Foi uma época mágica, e eu sinto saudade dessa época. O politicamente correto não enchia o saco e as reações das pessoas a determinada notícia eram sempre expressões escritas, não emojis de "joinha" ou carinhas de feliz ou triste.

Mas este não é um texto sobre nostalgia.

Recordando sobre nossas origens, vejo que todos nós começamos nossa carreira gamer como retrogamers. Ninguém aqui começou a jogar na plataforma de sua época. Pelo que eu conheço da história de todos vocês, e vocês conhecem da minha, todos nós jogamos, por muito tempo, em plataformas de uma ou duas gerações atrás da geração da época em que vivíamos. A maioria aqui teve seu "auge gamer" nos anos 2000 (por auge gamer entendam o período onde mais jogaram e onde mais tiveram acesso a jogos, fosse por empréstimo de amigos, CD piratinha 3 por 10 ou emulação). Nessa década o PlayStation 2 foi o grande imperador dos games no Brasil, mas a maioria de nós só o alcançou quando o PlayStation 3 já havia sido lançado. Vivemos a era PS2 depois da era PS2. Durante a era PS2 jogamos PS1, Nintendo 64, SNES.

Ou seja, todos nós fomos retrogamers por um bom tempo.

E se tratando de jogos, é sempre mais interessante consumir conteúdo (ler blogs, ver vídeos) de jogos que a gente pode jogar. Portanto, além de sermos retrogamers, nós também líamos muitos sites retrogamers. Afinal, não fazia sentido se manter informado sobre o lançamento de Gears of War se nem sabíamos direito o que era um Xbox. Tentar emular a primeira trilogia Resident Evil parecia algo muito mais interessante a se fazer.

Pois bem. Conforme o tempo foi passando, a gente foi "limpando" as bibliotecas das plataformas que tínhamos (emular era fácil, gravar jogo em casa era fácil, testar "tudo" era fácil) e eventualmente alcançamos os jogos atuais, fosse num console atual ou num PC razoavelmente bom. Isso por volta de 2010, pra uns antes, pra outros depois. Redes sociais começaram a crescer e impôr padrões de "encheção de saco", bem como se tornarem mais populosas que as caixas de comentários dos blogs. Sites grandes ficaram ainda maiores, pois converteram seus altos acessos em altos compartilhamentos nas redes sociais, e com isso, tivemos a "popularização" de títulos exclusivos das plataformas atuais [da época], como Assassin's Creed, Modern Warfare, Gears of War, Uncharted e tantos outros. Mas por que "popularização" com aspas? Ora, o brasileiro não começou a nadar no dinheiro de uma hora para outra para jogar esses jogos. As notícias e matérias sobre estes jogos os deixaram populares. Eles ficaram conhecidos através de fotos e gameplays vistas pela tela do computador, não por serem jogados e espalhados pelo boca-a-boca entre jogadores.

Nesse ponto da história, criou-se uma demanda em alcançar os jogos atuais. Ostentação, hype, manipulação da mídia, não sei. Mas foi ali que nós, brasileiros no geral (não sei se o fenômeno foi igual no exterior) começamos a precisar jogar os jogos atuais. Os jogos que estavam sendo tão comentados na mídia. Isso sempre existiu, desde os anos 90 as revistas instigavam a gurizada sobre como o novo Donkey Kong Country ou Street Fighter eram empolgantes e "de outro mundo". Mas eu sinto que, especialmente nessa virada de década 2009-2010, essa demanda passou a ser séria. Deixou de ser "é muito legal" e virou "você precisa disso".

O nosso grupinho aqui da TTA, contudo, sempre foi muito crítico. Não fomos afetados pelas ondas de burrice das redes sociais, e mantivemos aqui no nosso forunzinho a vibe crítica e discursiva que poucos blogs remanescentes da boa época da internet conseguem manter nos tempos atuais. Todos nós alcançamos os jogos atuais, não deixamos de jogar os antigos e continuamos vendo tudo de maneira clara e analítica (embora, inevitavelmente, um jogo ou outro nos pegue no trem do hype de vez em quando, tipo eu com Far Cry 4 ou Rise of the Tomb Raider).

Só que como nós viemos do tempo dos "blogs de retrogames", trazemos conosco algumas ideias daquela época que utilizamos para comparar com conceitos atuais. E esses dias eu me peguei pensando se tais comparações fazem sentido em serem feitas.

Por exemplo, todos aqui adoram multiplayer local. Viemos de uma época em que ele reinava e reclamamos por ele não ser onipresente nos títulos de agora. Dificilmente paramos para nos questionar o por quê de ele estar quase extinto hoje em dia, apenas criticamos essa "indústria opressora que não valoriza as relações humanas e não estimula a piazada a jogar junto". Porém, se formos pesquisar sobre "títulos atuais com multiplayer local", veremos que os resultados nos levarão a uma meia dúzia de fóruns onde um tiozão como nós está fazendo a mesma pergunta, para que outro tiozão o responda com uma lista [que será curta]. Dificilmente um site grande está falando do assunto. E por que? Porque não interessa. Reparem que quem sente a falta do multiplayer local são os tiozão iguais a nós, não a gurizadinha. A gurizadinha não estranha que o videogame venha só com um controle, estranha é se ele vier sem headset pra se comunicar com os amiguinhos.

Imaginem a prática dos trailers extremamente antecipados. Semana passada foi o absurdo: a Sony dizer que The Last of Us 2 só sai depois de 2019. Ou seja, o trailer que foi ao YouTube no fim de 2016 é de um jogo que só verá a prateleira em 2020. São QUATRO ANOS de espera. O intervalo entre duas Copas do Mundo. Pra nós isso é um absurdo. Inadmissível. Imperdoável. Na nossa época não tinha isso, na nossa época tinha empresas comprometidas, na nossa época... na nossa época era diferente. A gurizadinha no máximo vai "achar ruim", mas eles já estão acostumados, é comum isso acontecer na época em que eles vivem, eles já se acostumaram com isso (que não é uma prática comum apenas nos games, como também nos filmes e outras mídias que usem de trailers para se promover). Nós somos os tiozões, a vanguarda, pouca gente segue jogando na nossa idade. A gente não manda em nada.

Vou dar mais um exemplo, esse bem chulo: o excesso de jogos de tiro, sejam em primeira ou terceira pessoa. "Essa indústria preguiçosa que só lança jogos iguais". O gênero é popular e rende grana, a maioria joga, então por que não fazer? Toda época tem um grupo de blockbusters de um gênero, e um exército de cópias do mesmo gênero que tentam alcançar o mesmo sucesso. Daí a extrema quantia de jogos daquele gênero. O que dizer dos plataformas 2D da nossa época? Tira Mario, Sonic, mais uma dúzia ali, e o resto era porcaria. Uma infinidade de títulos do mesmo gênero, com a mesma mecânica, que na época inclusive tentavam emplacar "mascotes" (anos 90 toda empresa queria ter seu mascote) que sequer venderam satisfatoriamente. A gente tinha pouca coisa pra jogar então se esforçava pra passar das fases, mas coloque isso no contexto atual, onde promoções pulam na sua cara a todo momento e você nunca dá conta da fila de jogos acumulados. Você não vai investir seu tempo num joguete duro de controlar como Castlevania e menos ainda num negócio horrível de passar como o Alien Soldier. Ou os jogos de luta então, que plagiavam Street Fighter na cara dura. Fora Street, Mortal e King of Fighters, e depois Tekken, tem alguém aí "apaixonado" por World of Heroes? Alguém que acha King of the Monsters um jogo inesquecível? Ou que ache Primal Rage uma pérola perdida? Também eram tempos de indústria preguiçosa. A nostalgia torna esse meu argumento duro de concordar, mas é a verdade. Isso é indústria, e acontece em todas as mídias. Olha as redes sociais, o Mark Zuckeberg não conseguiu comprar o Snapchat, então enfiou o recurso de "Stories" em todas as suas redes. É pura indústria.

Eu acho que as gerações mais velhas (de pessoas, me refiro) sempre têm muito a contribuir e ensinar aos mais novos. Nosso papel é importante sim, pois passamos a eles ideias e conceitos de outros tempos que podem vir a contribuir na época em que eles vivem. Duvido a criança que não se diverte reunindo uns 5 ou 6 amigos pra jogar FIFA gritando e comendo besteiras. Também somos responsáveis por transmitir a eles o senso crítico que está tão em falta nessa geração do "politicamente correto enchedor de saco", os impedindo de serem massa de manobra de mídia, fazendo com que cobrem, efetivamente, jogos que não demorem um século pra sair após seus trailers, ou games mais criativos que não sejam um Ctrl+C Ctrl+V tão escrachado. Podemos instruir as crianças e adolescentes a exigirem produtos melhores, já que eles são o grande público consumidor destes. Ou podemos nos adequar aos preceitos atuais e reclamar de coisas que não nos contentem utilizando argumentos condizentes com a nossa época. Mas xingar a falta do multiplayer local, por exemplo, é perda de tempo. Isso era coisa de outra época, de outro contexto social, de outra realidade, que não vai mais voltar. Meu ponto é: reclamar como um tiozão sempre enaltecendo as qualidades do passado não vai levar a indústria ao futuro. Podemos transmitir boas lições de outrora, mas nossas exigências tem de ser condizentes com a nossa época.

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Re: Não seríamos, nós, os teimosos?

Mensagem por infernosword em Qua Abr 05, 2017 1:38 pm

Olha, eu não comecei como retro gamer e quando era criança, queria jogar os lançamentos. Foi assim até 2008, quando eu já tinha Wii e um PC bonzinho e dava pra jogar muita coisa. Muitos jogos acumularam e eu senti mais vontade de jogá-los do que jogar os lançamentos. Então ter virado um retro gamer, pra mim, foi questão de maturidade e inteligência para não cair nas garras da obsolecência programada, coisa que eu só fiz depois de véio.

Também não tenho saudade nenhuma da mídia de antigamente, daqueles fóruns onde você falava qualquer coisa e os caras vinham com "viado", "boiola", "Zelda é uma bosta", aqueles bloguinhos "grandes" só de factóides e notícias bobas e aqueles programas sonystas que passavam na TV, em que os caras ficavam mostrando cut-scene de Final Fantasy o programa inteiro (in-game que é bom, nada). Eu quero mais é que se foda a mídia brasileira "especializada", que é algo totalmente desnecessário perante a possibilidade de se jogar os jogos, a única experiência verdadeira para com os games. As revistas até eram legais, mas são farinha do mesmo saco.

Uma coisa que eu aprendi é que: o consumidor tem sempre a razão? Não, o consumidor tem que se fuder! Todo consumidor é babaca, boicote organizado é conto de fadas e reclamar em forunzinho da internet é idiotice. Por isso que eu estou estudando a indústria dos games. Para mudá-la por dentro. Pra mim é o único meio viável, mas é, claro, uma batalha pessoal.

O Brasil é o único país do mundo que quem trabalha com game é jornalista. Já deu pra entender, né? É por isso que eu só participo desse fórum, é por isso que eu não faço mais reviews e é por isso que vou fazer meus próprios games.
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Re: Não seríamos, nós, os teimosos?

Mensagem por Willi em Sex Abr 07, 2017 10:29 am

Quase 30 vistos e apenas uma resposta. Vocês são demais, pessoal.

Noto uma raiva nos seus posicionamentos com relação a este assunto, Inf. Ela costuma ser comum quando a pauta é essa. Tudo isso é raiva da geração Youtuber, velho? XD

Quanto às épocas: me enganei! Eu sabia que teu primeiro console era o 64, mas imaginava que tivesse jogado ele nos 2000s, com ele já "retro", não fazia ideia que tu tinha pego ele ainda na época dele. Falha minha. Legal conhecer esse teu processo de crescimento ao longo dos anos e ver que tu fez o percurso inverso ao que eu mencionei no texto.

Quanto à internet da época passada, eu não sei como eram esses fóruns que tu relatou, porque sempre frequentei apenas a TTA (e por uma época o SonicZoneFórum) mas a comunicação na internet, especialmente nos lugares que tratavam de games, era bem mais de boa do que hoje. A tua opinião era a tua opinião. Hoje criou-se um vício de extremismo onde não se pode gostar de uma coisa sem ser hater de outra. Não se pode pensar diferente sem ser ignorante. Só a opinião do indivíduo que vale e mais a de ninguém. Isso é muito irritante e tira até a graça de se expressar ou opinar. E falando dos blogs, eu gostava de quando eles tinham mais relevância. Hoje tem uma meia dúzia de blogs que vivem de seus fãs e uns poucos que ainda têm cabeça pra ler um texto, mas se tornou quase uma parada de nicho. Quem tem grandes acessos são os portais grandes e seus textos enlatados feitos por redatores "istas" e frescurentos que nitidamente levantam questionamentos apenas pra dar views. Por isso que eu digo que era bom quando os grandes portais eram opção, e não tinham o domínio que têm hoje.

Mas o grande intuito do meu texto era analisar e discutir o comportamento gamer e não as diferentes épocas da internet. Gostaria de saber a tua opinião sobre o que eu falei nesse quesito. A tua e a dos demais que tão aí só de butuca XD

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Re: Não seríamos, nós, os teimosos?

Mensagem por Alexandre em Sex Abr 07, 2017 11:48 am

Willi escreveu: A tua opinião era a tua opinião. Hoje criou-se um vício de extremismo onde não se pode gostar de uma coisa sem ser hater de outra. Não se pode pensar diferente sem ser ignorante. Só a opinião do indivíduo que vale e mais a de ninguém. Isso é muito irritante e tira até a graça de se expressar ou opinar.

Eu frequento o VG Chartz e posso dizer que o cenário é bem esse mesmo. Basicamente todo mundo tem um console favorito e parece sentir prazer quando algo do concorrente fracassa. Eu sempre segui o modelo de admirar os jogos e não a produtora/empresa por trás dele. Não é porque eu tenho um 2DS que eu não vou reconhecer algum bom jogo no PS Vita.

E essa questão dos jogos extremamente antecipados citado no texto é outro problema. O pessoal cria hype em cima de um jogo que ainda vai levar anos para ver a luz do dia. Aliás, eu acho que na E3 desse ano vamos ver de novo vários jogos que foram revelados no ano passado e ainda nem tem data de lançamento.

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Re: Não seríamos, nós, os teimosos?

Mensagem por infernosword em Sex Abr 07, 2017 12:53 pm

É que às vezes eu escrevo mensagens curtas e aí fica parecendo direto e "grosso" demais, porque eu tento dar uma opinião complexa em poucas linhas. Vou tentar detalhar tudo com bastante calma, preparem o colchão porque vocês vão dormir lendo xDDD

Quanto às épocas: só pra você ter ideia, eu tive um 486 (onde joguei meus primeiros jogos) em 95, ganhei o Nintendo 64 em 97, o GC quando foi lançado o Zelda Wind Waker e o Wii comprei no lançamento. O 360 rolou quando eu fui para Rússia (2012), que já não era mais tão novidade. Eu sou 6 anos mais velho do que você, então é natural que o teu retrô tenha sido o meu contemporâneo. Sim, sou velho e ultrapassado xD

Quanto à Internet: eu já achava aquela macacada de fórum chata pra caramba naquela época. Confesso que tentei participar de alguns, mas é só derrota. Tanto que eu adoro esse fórum, a ideia de ter encontrado pessoas fora da curva nesse sentido e poder trocar ideia com elas me fascina. Num fórum grande, você vai e fala que adora Smash Bros., por exemplo, e convida o povo para jogar. O que acontece? São 90 mensagens na mesma hora, só que 82 falando que o jogo é ruim, que jogar isso é coisa do passado, que Nintendo é coisa de boiola. São opiniões, correto, só que desnecessárias. Aí você garimpa um pouco e acha lá dois ou três perdidos que valem a pena, soterrados no vale de merda. É dureza. Outra coisa que me enchi de ver são aqueles tópicos de "zueira". Você vai no UOL Jogos e tem tópico que o cara abre só pra falar da bunda da apresentadora do programa de games. Perguntam se ela é virgem, se gosta de fazer boquete e fazem caravana pra ir mandar mensagem pedindo nudes no Instagram dela. Bando de macacos. Numa boa, um povo desse tem moral pra reclamar do conteúdo da novela da Globo? Eu acho que não.
Agora, eu concordo com você. Hoje essa situação piorou atualmente. O pessoal emburreceu muito e os fóruns superlotados viraram 4chans da vida, onde tudo é zoeira e sacanagem. A população emburreceu demais. O povo, especialmente o paulista e o paranaense, estão muito formatados, superficiais, enlatados e prontos para consumo imediato e descarte fácil.
O grande pulo do gato Willi, se é que posso chamar assim, foi eu ter parado e dito: "Ei, peraí, eu realmente preciso disso?". Quer dizer, eu sou um gamer ou sou um consumidor de jogos? Eu sou um estudante ou moedor de conhecimento? Quando eu trabalho, eu só busco dinheiro? Quando eu vou ao estádio, eu quero vibrar, pular e, mesmo que o jogo esteja uma merda, ver o time jogar? Ou eu só vou gostar se o time que eu torço ganhar? Acho que nessas idas e vindas eu pulei para o lado da contra-cultura involuntariamente, o marginal na terra do consumismo. O começo dessa história, coincidentemente, bate com o início das minhas atividades aqui no fórum. Aqui a gente tem o péssimo hábito de ler e responder as mensagens uns dos outros. O que me leva ao próximo assunto.

A raiva: eu confesso que de vez enquando eu deixo transparecer a minha indignação sobre certos assuntos, até pela liberdade que temos quando conversamos por aqui. Muitas das vezes, as minhas reações são bobas e infantis, mas nunca são falsas. E muitas vezes são táticas pra chamar a atenção e abrir o diálogo. O que eu falo é o que eu penso, não faz sentido eu mentir pra vocês ou pra quem quer que seja. A geração youtuber me tirou do sério há uns tempos atrás, dada a sua levianidade e insipicidade no tratamento de diversas questões, algo do qual, vocês sabem, eu sou frontalmente oposto, mas sem generalizar. Só que eu percebi que meu foco estava apenas na ponta visível do iceberg. Eles são, na verdade, reflexo de toda uma geração mimada cujos caminhos eu discordo; uma consequência da mesma. Mas não se trata só de criticar (coisa que eu faço muito menos do que imaginam), até porque eu vejo muita gente falando mal da geração mimimi e tendo atitudes análogas às mesmas que criticam (algo meio sadomasoquista do indivíduo sendo consumido por aquilo que ele despreza). Não, o que eu faço é ficar do outro lado, levar minha vida e falar o que eu penso para os que me perguntam. Eu não sou do tipo "Não leia o [insira o nome do seu site de games mais odiado aqui]!". Sou mais do estilo "olha, vamos ver isso aqui, esses caras não sabem nada, existe um interesse por trás disso que eles falam por causa disso e disso aqui". Sou do tipo destruidor de autoriadades. Joguei bola de neve na cara do Lênin em plena Rússia, não é pra meia dúzia de "blogueiros especializados" que eu baixo a cabeça, ainda mais num assunto que, sem modéstia, eu conheço bem.
Mas e aí, como explicar isso para um pessoal que é "consumidor de notícias" em tempo e volume olímpico e que muitas das vezes só lê o que eles querem que seja compatível com a sua opinião? Praticamente não tem como. Aí fica o idiota aqui como o cara do contra, o diferentão, o esquisito.

E para arrasar nesse meu textão, vou dar uma palhinha da minha faceta psiquiatra e linkar o motivo pelo "mal comportamento gamer" com todas as digressões feitas anteriormente. Eu acredito que uma pessoa que faça um tópico falando da apresentadora venha de um dos dois caminhos: Ou é um sádico (e aí eu deixo para os verdadeiros psiquiatras) ou tem regalias e confortos demais na vida para que não precise dispender tempo e esforço para realizar coisas produtivas ou prazerosas, até porque a mamãe já está trazendo o bauru com Nescau, que dá força e vitaminas para o gasto em tais atividades. Todo mundo gosta de dar a sua opiniãozinha. Todo mundo tem opinião sobre tudo. Mas eu digo que tudo isso só vai até a página dois. Esse povo é fraco, é burro e é voraz. É muita exigência nossa querer que animais se comportem como humanos, que leiam, que interpretem, que discutam e que vivam. Aliás, o "mal comportamento gamer" vem do mal comportamento na vida.
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