Uma análise em 5 pontos sobre o Nintendo Classic Mini

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Uma análise em 5 pontos sobre o Nintendo Classic Mini

Mensagem por infernosword em Sex Set 02, 2016 3:49 am

O projeto de um hardware novo é fascinante, ainda mais se esse se tratar de um console de videogame. Há muito o que se pensar sobre o design, como serão os controles, como será a interação com o usuário, que interfaces o dispositivo irá ter, como arranjar os componentes dentro do gabinete para que ocupe o menor espaço possível, como será o software que ele vai rodar e claro, qual será a utilidade do dispositivo.
Eu tenho pesquisado sobre o novo console da Nintendo, o NX o remake do NES, algo que estou chamando de Mini-NES, cujo nome completo é Nintendo Classic Mini: Nintendo Entertainment System. Lançado em 83 no Japão e 85 nos EUA, podemos dizer que o console original não só foi um sucesso, mas um dos grandes salvadores da era que ficou conhecida como o crash dos videogames. Importantíssimos jogos foram lançados para essa plataforma, como os três Mario Bros., Zelda, Metroid, Ice Climbers e mais uma porrada de clássicos que até hoje compõem o catálogo de elite da Nintendo.
Para resgatar essa memória, que já faz 30 anos, a Nintendo projetou um remake do console, o Mini-Nes, que é basicamente um dispositivo que você liga na HDMI da sua TV e joga os jogos embutidos na memória (30 jogos), todos rodando a 60 FPS, se quer saber. O tamanho total do console é de cerca de 1/4 do original e sua largura é praticamente a mesma de seu respectivo controle.
Como entusiasta da área que posteriormente se transformou em um profissional da mesma (carteirada da da da da xD) não pude deixar o dispositivo passar em branco e resolvi dissecar o dito cujo "só de folia" e levantar alguns pontos, que vocês podem ajudar a refletir comigo a seguir. Vamos a eles:

- Nintendo, estamos em 2016. Eu acho o revival interessante, apesar de não ser barato, nem prático e nem tão nostálgico assim. O mini-NES é um objeto de decoração para algum old-schooler colocá-lo na mesa de centro da sala de visitas e dizer "Bons tempos, não?" e quem sabe começar uma conversa sobre como eram bons os anos 80. Contudo, ele não é barato porque ele custa US$ 60, algo em torno de R$ 120,00 e, como todos sabem, emuladores são gratuitos, ROMs também, rodam em qualquer PC, o sistema já é perfeitamente emulado e também oferece altas resoluções e taxas de quadros. Portanto, pra quem quer muito jogar, o emulador já é uma opção há muito consagrada. Passando para o argumento da praticidade, é exatamente o que eu disse no argumento anterior, [ModoWilliON]quem quer jogar, joga no emulador, de graça[ModoWilliOFF]. Para finalizar, eu penso que uma das mais difíceis decisões dos engenheiros desse projeto foi a de se o dispositivo aceitaria ou não o uso das fitas originais de NES, afinal o que é uma experiência nostálgica sem a troca de cartuchos, não é mesmo? Sabemos que pelo tamanho reduzido e pelo uso de tecnologias melhores isso foi descartado. Considerando essa decisão tomada, me dirijo ao segundo ponto.

- Seria melhor um dongle. Quem sou eu para questionar os engenheiros da Nintendo... Contudo, não me passa pela cabeça manter o mini-NES com o design atual a não ser como um objeto de decoração. Digo isso porque tenho em mente que já é mais do que acessível uma tecnologia que permitiria que o mini-NES fosse reduzido a um dongle que vai ligado ao HDMI. Ou melhor, um chaveiro/dongle em forma de Nintendinho, do tamanho de um pen-drive, que vai ligado ao HDMI, um cabo para ligar na energia caso o HDMI não dê conta da corrente elétrica, joysticks sem fio (com protocolo compatível com Wiimote e Wii U), uma memória flash contendo todo o sistema necessário e todos os 30 jogos, tudo isso ao preço de, no máximo, 15 dólares. Pronto! Peraí...

- 30 jogos? Por que não a biblioteca inteira? Já temos tecnologia de memória mais do que suficiente para armazenar toda a biblioteca do NES, em alta resolução, por 200 vezes ou mais, numa área do tamanho de uma unha. Então porque não colocar toda a coletânea de jogos do NES, incluindo os Japan-Only, para que todo mundo possa ver, aprender e admirar uma das mais modernas e inovadoras formas de entretenimento dos anos 80? Eu mesmo, um fã casual de NES, fiquei decepcionado por não ter o Ice Hockey, jogo com o qual eu dei boas gargalhadas. Sim, 30 jogos é bastante, mas você é prisioneiro desses 30.

- Segundo controle, só se for muito fã (e tiver muita grana)! Existe uma empresa chamada Nintendo que sofre de uma grave doença chamada de "periféricos de um jogo só", catalogada pelo Dr. Infernoswarzembaun já na época do Gamecube. Antes de mais nada, esse controle do mini-NES deveria ser sem fio, afinal não queremos repetir a experiência dos cartuchos, não queremos repetir a experiência dos fios. Segundo, ele é de uso exclusivo do mini-NES, logo é um periférico de um (30) jogo só. Terceiro, o mini-NES é compatível com os Classic Controllers do Wii, o que é legal, mas quem tem Classic Controller, tem Wii (ou Wii U). Quem tem Wii, tem Virtual Console. Quem tem Virtual Console, não vai querer ter o mini-NES, a não ser para efeitos de decoração. Se já se torna absurda a ideia de ter um controle de mini-NES em casa, imagine dois.

- O mini-NES não será um bom presente para as crianças. Chegamos ao ponto trash do texto. Aqui eu não culpo a Nintendo por nada, só faço uma retratação. Eu gosto muito desse papo de gerações e videogames. Aí pensando um pouco nesse assunto, eu cheguei à conclusão de que não dá pra você comprar um mini-NES para uma criança. Os jogos do NES são muito difíceis, mas muito mesmo, e eu tenho certeza de que a maioria vai largar o brinquedo na segunda semana de uso. Além do mais, elas não sabem o que vale um jogo de NES. Na época, era quase impossível se conseguir um cartucho de NES no Brasil e ainda mais difícil era programá-los, animá-los e fazê-los divertidos do modo que nós conhecemos hoje. Muitos dos jogos de NES fazem parte de algo que chamamos de state of art, algo que é tão bem feito, inovador e que quebra tantos paradigmas que se torna um clássico não só em sua área, mas em diversas outras mais. Falamos em processadores de 8 bit, rodando a 2 Mhz e fazendo magia negra para maravilhar as pessoas dos 80's. Uma criança que ganhar um mini-NES nesse natal vai achar o videogame uma bosta, cópia de polystation mal-feita, que não roda Battlefield e não tem internet e que cansa na terceira sentada para jogar. "Eu queria um tablet!!!!" Isso restringe o mercado aos quarentões e cinquentões e alguns malucos que gostam muito de videogame, de história e de Nintendo. E quem sabe um ou outro decorador de interiores.

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Re: Uma análise em 5 pontos sobre o Nintendo Classic Mini

Mensagem por J. Marlon em Sex Set 02, 2016 6:32 am

infernosword escreveu:- 30 jogos? Por que não a biblioteca inteira? Já temos tecnologia de memória mais do que suficiente para armazenar toda a biblioteca do NES, em alta resolução, por 200 vezes ou mais, numa área do tamanho de uma unha. Então porque não colocar toda a coletânea de jogos do NES, incluindo os Japan-Only, para que todo mundo possa ver, aprender e admirar uma das mais modernas e inovadoras formas de entretenimento dos anos 80? Eu mesmo, um fã casual de NES, fiquei decepcionado por não ter o Ice Hockey, jogo com o qual eu dei boas gargalhadas. Sim, 30 jogos é bastante, mas você é prisioneiro desses 30.
Há uma paradinha chamada "direitos autorais".

Eles não poderiam escolher qualquer título que der na teia, tacar na memória do console e pronto, "melhor coletânea ever". Para tal feito, a Nintendo teria de convidar os detentores de cada software para tomar um café, chegar a acordos e pagar royalties, dependendo do assinado. Mas, de certo, isso elevaria a outra dimensão o preço do "Nintendinho" (Oh, agora o nome faz sentido!! xD) para o consumidor final. Só para terem alguma noção da seriedade do ramo dos negócios, o "legacy mode" dos consoles, a vossa querida retrocompatibilidade, não existe da forma que é só por existir. Já se perguntaram porquê o PS2 "se transforma" num PS1 quando você roda um disco do mesmo? Ou quando o Wii passa a reagir como GCN ao tocar um Super Mario Sunshine (Ou Baten Kaitos)? Quando você precisa entrar no Modo Wii para acessar os jogos comprados pelo Virtual Console do Wii, mesmo existindo o VC do Wii U com os mesmo jogos? Embora alguns destes pontos possam ser indagados com respostas óbvias e certas, a principal é porquê os jogos de PS1 foram "licenciados" para correr apenas no "hardware" do PS1. Os de GCN só no GCN e os de Wii só no Wii. E a forma como a Sony encontrou para contornar tal situação foi integrar chips de processamento da plataforma anterior ao PS2. A Nintendo fez o mesmo com o Wii em relação ao GameCube. Também é por isso que a Microsoft está tendo de conversar com empresas antes lançar algum jogo de X360 retrocompatível com XB1, já que as licenças concebidas no ambiente do 360 eram diferentes do atual (Retrocompatibilidade por hardware =/= software).

Acho que a melhor saída para o Mini NES seria a integração com um VC ou eShop, além de já vir com os 30 jogos gravados.

infernosword escreveu:
- Segundo controle, só se for muito fã (e tiver muita grana)! [...] ele é de uso exclusivo do mini-NES, logo é um periférico de um (30) jogo só.
Vai custar US$ 10 lá fora, mas aposto +100 aqui. O controle dele também possui o mesmo plug do Classic Controller e confirmaram suporte com o VC no Wii e Wii U.


Última edição por J. Marlon em Sex Set 02, 2016 7:52 am, editado 2 vez(es)

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Re: Uma análise em 5 pontos sobre o Nintendo Classic Mini

Mensagem por infernosword em Sex Set 02, 2016 7:16 am

Tudo bem, mas eles conseguiram licenciar o Final Fantasy, o Castlevania, o Pac-Man. Porque não fizeram então algo que possa ser "updatado" via internet ou sei lá o que e assim que eles forem liberando os jogos, o povo baixa e instala, até cobrando, se for o caso. Mas nem o Ice Hockey está na memória do dispositivo, então já dá ver que o negócio é esse aí mesmo.
Quanto ao controle, é um acessório de um jogo só, tanto porque ele só vai rodar nos jogos de NES do Virtual Console. Você não consegue jogar Super Mario 64 com esse controle. Fizessem um Classic Controller com skin de controle NES que seria melhor e mais útil.

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Re: Uma análise em 5 pontos sobre o Nintendo Classic Mini

Mensagem por J. Marlon em Sex Set 02, 2016 7:52 am

infernosword escreveu:Tudo bem, mas eles conseguiram licenciar o Final Fantasy, o Castlevania, o Pac-Man. Porque não fizeram então algo que possa ser "updatado" via internet ou sei lá o que e assim que eles forem liberando os jogos, o povo baixa e instala, até cobrando, se for o caso. Mas nem o Ice Hockey está na memória do dispositivo, então já dá ver que o negócio é esse aí mesmo.
Quanto ao controle, é um acessório de um jogo só, tanto porque ele só vai rodar nos jogos de NES do Virtual Console. Você não consegue jogar Super Mario 64 com esse controle. Fizessem um Classic Controller com skin de controle NES que seria melhor e mais útil.
Só o fato do cara que sugeriu a idéia do Mini NES ter, provavelmente, estado numa reunião de negócios, levantado da cadeira e dito as sábias palavras "já sei, vamos relançar o NES", e não ter sido despedido e\ou zombado na sala é um grande feito por si só. xD

infernosword escreveu:- O mini-NES não será um bom presente para as crianças. Chegamos ao ponto trash do texto. Aqui eu não culpo a Nintendo por nada, só faço uma retratação. Eu gosto muito desse papo de gerações e videogames. Aí pensando um pouco nesse assunto, eu cheguei à conclusão de que não dá pra você comprar um mini-NES para uma criança. Os jogos do NES são muito difíceis, mas muito mesmo, e eu tenho certeza de que a maioria vai largar o brinquedo na segunda semana de uso. Além do mais, elas não sabem o que vale um jogo de NES. Na época, era quase impossível se conseguir um cartucho de NES no Brasil e ainda mais difícil era programá-los, animá-los e fazê-los divertidos do modo que nós conhecemos hoje. Muitos dos jogos de NES fazem parte de algo que chamamos de state of art, algo que é tão bem feito, inovador e que quebra tantos paradigmas que se torna um clássico não só em sua área, mas em diversas outras mais. Falamos em processadores de 8 bit, rodando a 2 Mhz e fazendo magia negra para maravilhar as pessoas dos 80's. Uma criança que ganhar um mini-NES nesse natal vai achar o videogame uma bosta, cópia de polystation mal-feita, que não roda Battlefield e não tem internet e que cansa na terceira sentada para jogar. "Eu queria um tablet!!!!" Isso restringe o mercado aos quarentões e cinquentões e alguns malucos que gostam muito de videogame, de história e de Nintendo. E quem sabe um ou outro decorador de interiores.
Vejo o Mini NES mais como produto de comemoração do que comercial. Seja lá qual for seu publico alvo, crianças ou marmanjos old-school, a Nintendo já deve ter traçado a meta e ele sumirá do mercado dentro de algum tempo. E, se for um sucesso, talvez role uma second edition ou um Mini SNES.

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Re: Uma análise em 5 pontos sobre o Nintendo Classic Mini

Mensagem por infernosword em Sex Set 02, 2016 9:02 am

Eu acredito que sim, já que o nome Nintendo Classic Mini: Nome do console aqui é bastante sugestivo para esse tipo de coisa. Será que vamos ter um Mini-64? xD

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Re: Uma análise em 5 pontos sobre o Nintendo Classic Mini

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