Uma e quarenta

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Uma e quarenta

Mensagem por infernosword em Ter Set 29, 2015 3:16 am

...estou ouvindo um álbum chamado Saosin, da banda homônima, que encontrei num click randômico do Youtube, uma e quarenta da madrugada...

Agora comecei a pensar se surgiram muitos games de terror, horror e similares da noite para o dia (ou mais adequadamente, do dia para a noite) ou se eles já existiam e eu apenas os ignorei. Não sei, às vezes me acho velho. Nos tempos de Nintendo 64, o 3D ainda estava se desenvolvendo, vejam os polígonos (meu favorito é o Fighting Polygon Yoshi, do jogo Super Smash Bros., me lembra muito aquela época). Com o 3D, novas possibilidades. Com as possibilidades, novos estilos. Tivemos praticamente a morte do side-scrolling. O negócio era explorar a profundidade dos mundos. Super Mario 64 e claro, Zelda. Com esses expoentes, tivemos um crescimento e uma explosão de RPGs e o começo do fim dos meus amados jogos de plataforma (apesar de que esses tiveram um fim digno de rei, com uma biblioteca que conta com jogos como Banjo-Tooie e Donkey Kong 64, entre outros).

RPG foi, sem dúvida, o estilo predominante dos jogos na época em que eu era adolescente. Começaram nos consoles, na modalidade conhecida como action-roleplay (que é a minha favorita), depois começaram os jogos com turnos e então houve a grande explosão dos MMOs. Na época eu fiquei só babando, porque não tinha internet, mas sabia uma coisa ou outra, porque sempre olhava na internet da escola as tendências dos jogos. Apesar dos grandes MMORPGs da época, gosto de citar dois, que foram um choque de realidade para mim. O primeiro é o Erinia. É óbvio que vocês nunca ouviram falar. Primeiro porque não é da época da maioria de vocês. Segundo porque o jogo não fez sucesso. Trata-se de um MMORPG brasileiro, cuja temática era o folclore brasileiro (inclusive eu nunca esqueço uma propaganda do jogo numa revista que convidava os jogadores a "mata caiporas" xD). Nunca joguei esse jogo. O grande choque foi ver que se haviam brasileiros se mobilizando para criar um MMO, era sinal que eles estavam realmente dominando.

O segundo foi Phantasy Star Online, para Gamecube. Todos os MMOs que eu conhecia eram para PC, sem exceção. Ver que houve um cuidado para trazer aquela experiência (naquele tempo MMO era uma experiência na qual você entrava para desbravar o game, não para ser insultado por um bando de crianças que deixam de fazer seus deveres da escola para jogar, enquanto mandam suas mães solteiras fazerem o jantar) me deixou muito feliz. Deu um estalo na minha cabeça. Imagine você, poder jogar online (e isso incluir levar mais 3 amigos locais para esse mundo, numa atividade que eu pessoalmente chamo de verdadeiro multiplayer) no conforto do seu sofá, com seu videogame favorito, ao contrário do caro e desconfortável PC (obviamente eu falo das máquinas daquele tempo). Demais.

Novamente um avanço da tecnologia e uma mudança nos estilos. Nessa época, o cinema tinha spam de filmes de terror. Aquilo não foi uma tendência, foi um estouro. Eu lembro: começaram com a série Pânico, ainda tímidos, alternativos ao que rolava em Hollywood. Depois, o clássico Premonição (esse vocês lembram!). Então Jogos Mortais, o quebra águas do terror. Depois disso foram pilhas de Pânicos no Lago, Casas de Cera, alguns filmes bons e muita porcaria. Tudo naquele enredo três amigos, duas gostosas, um cara meio estranho que era o que sofria bullying e altas aventuras em alto mar, na floresta, na casa abandonada... *pausa para troca do CD, 02:26 em Brasília* ...

As pessoas daquela época, os jovens principalmente, hoje são adultos. Adultos que trabalham, cuidam dos filhos, andam de carro, fazem faculdade e na pior das hipóteses, Engenharia de Computação xD. Os jovens adultos (eu ouvi essa esses dias!) começaram a ditar o que rola na cultura desse país (na verdade desse planeta). Assusta um pouco saber que 99% dos youtubers são da sua idade (apesar da idade mental de uns serem 20 anos a menos xD). Apesar de no cinema o jovem diretor não tem um caminho ainda muito largo, na indústria da música e dos games os jovens podem entrar com tudo. Principalmente na indústria dos games. Esses dias consegui compilar um código C++ com a biblioteca gráfica SDL no TDM-GCC, ainda que com certo esforço. Se eu implementar uma engine mais algumas ferramentas (certeza...) vou ter um ambiente de desenvolvimento de games digno dos anos 2000. Isso me fez pensar em como hoje baixar um Unity, Corona ou Unreal Engine da vida é tão mais simples e praticamente qualquer um com vontade pode fazer.

Quero dizer, temos a tecnologia e material humano a rodo. Material humano influenciado pela cultura 90s - 2000. Seria esse o grande lance da indústria hoje? O estouro dos jogos indie foi algo muito interessante, mas que de fato eu "já meio que previa". Agora o que eu não previa é o boom dos jogos de terror. Ninguém jogou Prisoner of Ice (leia-se Call of Chutulu), Heart of Darkness, Frankstein, Goosebumps o suficiente para ser influenciado pelos jogos antigos de terror (sim, esses são jogos antigos de terror, depois deem uma olhada). Então, eu credito aos filmes, os Pânicos e Jogos Mortais da vida, o fator primordial nesse grande boom de jogos de terror. As semelhanças entre os filmes de lá e os jogos de cá são tantas que dariam um próximo texto.

Ou eles já existiam e eu apenas os ignorei.

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Re: Uma e quarenta

Mensagem por J. Marlon em Qui Out 01, 2015 3:11 am

E é um "material humano a rodo" que poucos sabem materializar com perfeição.

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Re: Uma e quarenta

Mensagem por infernosword em Sex Out 02, 2015 1:45 am

O material humano que eu me refiro é algo futuro, uma previsão, uma expectativa. Infelizmente não temos nada muito concreto hoje.

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Re: Uma e quarenta

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