Escrita Livre #2 - Cedo Demais Para Ser Um Velho Rabugento

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Escrita Livre #2 - Cedo Demais Para Ser Um Velho Rabugento

Mensagem por Willi em Dom 16 Ago - 21:27

Embora seja nessa condição que eu me veja atualmente.

1996 é meu ano de nascimento, 2015 é o ano em que este texto está sendo redigido e postado num fórum composto exclusivamente de amigos leitores que apreciam amontoados de escrita que ultrapassem a regra dos três parágrafos. Poderia muito bem ser vinculado numa rede social, o problema é que "naquele lugar", nem letrados e nem não letrados dão a devida atenção a conteúdos que tenham conteúdo. "Vai estar disponível pra mais gente", é o argumento. "Ninguém vai ler mesmo", é meu contra-argumento. Então que seja enviado a um domínio com menos usuários ativos, mas mais leitores.

Ver o mundo e as relações interpessoais com nojo e desgosto devia ser algo característico de pessoas de mais idade, que talvez tivessem tido más experiências em suas longas vidas. Não de alguém com 18 anos, que mal começou a viver a tal "vida" ainda. Mas talvez os 18 anos sejam mais físicos do que mentais, afinal.

Me criei com adultos. Sempre na presença deles, sempre metido no meio deles. Meus pais sempre foram meus melhores amigos, e foi com eles que por mais tempo brinquei na infância. Ainda hoje, com 18 anos, idade da "festa", minha maior festa é passar um fim de semana com eles sem irmos além do portão de casa. Meu círculo de amizades com crianças, adolescentes, e mais recentemente, jovens, sempre foi reduzido. Grupos seletos de pessoas. Às vezes compostos por pessoas selecionadas pelos seletos, fazer o quê, não se manda no mundo. Mas os círculos de adultos nos quais sempre estive presente, em razão das amizades dos meus pais, sempre foram compostos por pessoas tão divertidas quanto as da minha idade.

Talvez todo esse convívio com adultos tenha moldado algumas de minhas ideias e maneiras de ver o mundo. Vejo, hoje, amigos de vinte e poucos anos chegando a conclusões sobre relacionamentos amorosos as quais eu já tinha desde os 16. Colegas da minha idade se jogando (ou saindo) de vícios que eu já sabia que eram prejudiciais desde os 14. E uma pirralhada de 14 anos fazendo besteiras sem nexo que eu não fazia nem quando era mais criança que eles. Ao ver essa gente, não consigo pensar em outra coisa a não ser o emburrecimento das novas gerações como um todo.

Não sou a maior autoridade para dizer que as crianças deveriam brincar fora de casa, afinal o Super Nintendo sempre foi meu companheiro de diversão. Mas no caso da "geração smartphone" que temos hoje, chego a me emocionar quando vejo os pequenos jogando bola. Observando os formandos das escolas, comparo aquelas pessoas "com umas caras de velho" que se formavam nos terceirões de quando eu estava na oitava série, com esse bando de usuários de fraldas que vêm recebendo diploma de conclusão do Ensino Médio nos últimos anos. Em fisionomia, principalmente do rosto, não dou 16 para a maioria deles. Um amigo me disse que isso é um fenômeno decorrente do uso exacerbado de tecnologias com conectividade social, onde desde cedo os adolescentes já vêm expressando suas emoções através de emojis ao invés de ser por seus rostos. Espero não ver a galera de daqui a 10 anos comemorando a formatura de Ensino Médio com um brinde de mamadeiras.

Mas não, isso não vai acontecer, porque "festa" já é a principal diversão desde os 14. Ir na balada é algo almejado desde cedo por esta geração sem opinião própria, que se expressa por meio de frases comuns em memes de internet e tem como ídolos pessoas vazias que a mídia insiste em insistir. Geração que não se questiona, que não faz julgamentos, mas que faz "porque todo mundo faz". Beber é status, "tem que beber". "Se acabar" em certas situações e se colocar em estados deploráveis frente a um aglomerado de mil ou mais pessoas sedentas por sexo é algo bonito hoje em dia.

Sou o mais novo no meu grupo de amigos, que é composto por uma gurizada de até 26 anos. Fora desse grupo, também costumo ter mais assunto com gente em geral mais velha. Não necessariamente adultos, mas muitos jovens, daqueles que "ainda" estão no primeiro ou segundo smartphone. Aqueles que brincaram, viveram sua infância e adolescência. Porque com esse bando de pirralhos que é a nova geração, é impossível ter um diálogo. Não olham na cara, que por si só é a maior falta de respeito que pode existir em uma conversa. Te respondem de qualquer jeito, pois estão ocupados demais batendo dedinhos na tela da porcaria do smartphone. Não contra-argumentam, se limitando apenas a "sim", "não" e "é", impedindo o desenvolvimento de um assunto. E finalmente, quando estão sem o maldito celular em mãos, falam frases quebradas sem explanar o assunto totalmente, esperando que entendamos. Eu sou um usuário do que chamo de "fala de tutorial", onde não só converso, como explico cada pontinho do assunto em minha fala, procurando não deixar nenhum detalhe de fora, em função do total entendimento por parte de quem está conversando comigo. Não exijo que ninguém fale do mesmo jeito, mas que pelo menos, em sua fala, falem sobre o que estão falando. Cagar frases soltas pela boca não é conversa.

E pior que isso, é tentar argumentar com a nova geração pelo próprio "território deles". Mande uma mensagem para um desses pirralhos, ela será visualizada e com muita sorte será respondida na hora seguinte (em meia linha, é claro). Nunca largam o maldito aparelho, mas para te responder, parece que simulam estarem ocupados. É a geração da falta de laço, mesmo.

Em virtude dessa divergência de visão de mundo, tenho certa dificuldade em me encaixar em grupos de pessoas da minha idade pra baixo. O nível é muito baixo, os papinhos são vazios. Por vezes, me encontro em círculos cujo grande objetivo da vida é a balada do fim de semana, ou tem ainda os que pensam "grande", aqueles que têm em mente se mudar para cidades maiores porque lá é "mais top" (entendam por "aparecer em fotos de baladas de lá gera mais curtidas"). E esse é o mundinho dessa gente, que te menospreza e te acha um velho rabugento por enxergar uma maneira diferente de viver.

E não adianta botar a culpa de tudo isso em algo ou alguém. Noções de certo e errado todos temos, instintivamente, não precisa ninguém ensinar. Mate alguém em frente a uma criança de 3 anos e veja a reação dela. É óbvio que será negativa, ela sabe que aquilo é algo ruim, que aquilo é errado, que aquilo poderia não estar acontecendo. Você sabe que é verdade. Só que muitas pessoas insistem em fingir não enxergar, e botam a culpa em qualquer coisa, porque passar a responsabilidade adiante é mais fácil do que tomar uma atitude e mudar a si próprio. Se querem um estímulo ouçam o discurso do Rocky Balboa para o filho dele como despertador todos os dias de manhã. Sua vida não vai mudar com isso, um despertador diferente não vai te fazer uma pessoa melhor. Mas é uma lembrança diária de como seguir uma conduta, e consumir esse tipo de conteúdo repetidamente pode sim servir para bombear sua vontade de mudar, de melhorar.

Confesso que não consigo ver o mundo e as pessoas de hoje em dia com bons olhos, e imagino com olhos ainda piores o que será daqui a dez, vinte anos. Não consigo simplesmente "ignorar", nunca fui de ignorar, de "não dar bola". Observo como as pessoas fazem e aprovam certas atitudes e isso me causa nojo, repudia, desgosto. Redes sociais me irritam em mais de dez minutos de uso. Só não excluí tudo ainda porque preciso delas para manter contato com quem ainda acha que conectividade é selfie junto, ao invés de uma boa roda de conversa.

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Re: Escrita Livre #2 - Cedo Demais Para Ser Um Velho Rabugento

Mensagem por Alexandre em Ter 18 Ago - 14:15

Willi escreveu:1996 é meu ano de nascimento, 2015 é o ano em que este texto está sendo redigido e postado num fórum composto exclusivamente de amigos leitores que apreciam amontoados de escrita que ultrapassem a regra dos três parágrafos. Poderia muito bem ser vinculado numa rede social, o problema é que "naquele lugar", nem letrados e nem não letrados dão a devida atenção a conteúdos que tenham conteúdo. "Vai estar disponível pra mais gente", é o argumento. "Ninguém vai ler mesmo", é meu contra-argumento. Então que seja enviado a um domínio com menos usuários ativos, mas mais leitores.

O motivo de eu não usar redes sociais. Criei um Facebook pra manter contato com a galera da faculdade, e só o que recebo são fotos de gatinhos dizendo "Bom Dia" e imagens com textos bíblicos ou mensagens de moral.


Willi escreveu:Me criei com adultos. Sempre na presença deles, sempre metido no meio deles. Meus pais sempre foram meus melhores amigos, e foi com eles que por mais tempo brinquei na infância. Ainda hoje, com 18 anos, idade da "festa", minha maior festa é passar um fim de semana com eles sem irmos além do portão de casa. Meu círculo de amizades com crianças, adolescentes, e mais recentemente, jovens, sempre foi reduzido. Grupos seletos de pessoas. Às vezes compostos por pessoas selecionadas pelos seletos, fazer o quê, não se manda no mundo. Mas os círculos de adultos nos quais sempre estive presente, em razão das amizades dos meus pais, sempre foram compostos por pessoas tão divertidas quanto as da minha idade.

Eu era o mais jovem do meu grupo da faculdade: Eu tinha 22, o Rodrigo 28, o Celso 40 e o Paulo e o Oliveira eu não lembro, mas acho que estavam na casa dos 40 também. E eu adorava conversar com eles. A gente ria muito enquanto fazia os trabalhos.

E no começo eu confesso que eu tive um pouco de receio em ficar com eles. Nunca tinha sido amigo de alguém tão mais velho do que eu (Exceto minha família). Mas me dei super bem com eles, talvez até melhor do que com outros da minha idade.


Willi escreveu:Mas não, isso não vai acontecer, porque "festa" já é a principal diversão desde os 14. Ir na balada é algo almejado desde cedo por esta geração sem opinião própria, que se expressa por meio de frases comuns em memes de internet e tem como ídolos pessoas vazias que a mídia insiste em insistir. Geração que não se questiona, que não faz julgamentos, mas que faz "porque todo mundo faz". Beber é status, "tem que beber". "Se acabar" em certas situações e se colocar em estados deploráveis frente a um aglomerado de mil ou mais pessoas sedentas por sexo é algo bonito hoje em dia.

Se tem uma coisa que eu não sou é de ir em festas. Claro, esses dias atrás eu fui em um churrasco na casa do meu primo que estava comemorando aniversário, mas não tenho vontade de ir em baladas ou coisa do tipo.

E essa questão dos memes tem dois lados: Pode ser engraçado e divertido quando trocados em conversas de amigos, mas o que não pode acontecer (E acontece muito) é usá-los para substituir uma opinião. Ao invés de dizer o que você pensa de um assunto, você só joga um meme e pronto.


Bem, pra não ficar dando quote em tudo, acho que você já fez uma bela descrição do mundo atual em seu texto. Cada um tem sua opinião, existem aqueles que gostam de se encaixar nesse grupo que você descreveu, e vai levar a vida dessa forma.

Mas eu não acho que quem é contra tudo isso é por ser um "velho rabugento". Você não é velho, eu não sou velho. Tem muita gente acima dos 30 anos que ainda está nessa "vida loka" que você descreveu. É tudo questão de opinião e pensamento.

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